quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Exercicios de fixação - Atos do apostolos
Profº. Pr. Flávio Cézar
Nome Completo do aluno:_____________________________________________________
01-Assinale V para verdadeiro e F para falso
A-( )Metade do livro de Atos auxilia no entendimento das epístolas Paulinas.
B-( )Metade do livro de Atos dedica-se às atividades de Pedro e um terço às atividades de Paulo.
C-( )O destinatário de Atos é Lucas e o autor é Teófilo
D-( )As três grandes divisões de Atos são: testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins da terra.
02-Numere a segunda coluna de acordo com a primeira
( )742m ( )cenáculo
( )1110m ( )um sábado = 6 estádios
( )sala superior ( )seita fanática pela libertação dos judeus,de Roma
( )zeloso ( )distância
03-Assinale a correta:
A-( )O Pentecostes é 02 dias depois da Páscoa
B-( )O Pentecostes é o 50 depois da festa dos Tabernáculos
C-( )O Pentecostes é chamado festas das semanas
04-Assinale a correta:
O derramamento do Espírito Santo foi marcado por:
A-( )Vento, chamas de fogo, línguas estrangeiras
B-( )Línguas estranhas, línguas de fogo, vento impetuoso
C-( )Vento impetuoso, línguas de fogo, línguas estrangeiras
D-( )Línguas de fogo, som de vento impetuoso, línguas estranhas
05-Responda:
Porque o falar em línguas estrangeiras foi tão impactante no derramamento do Espírito Santo?_________
____________________________________________________________________________________.
06-Assinale a correta:
O derramamento do Espírito Santo profetizado por Joel aconteceu
A-( )60 dias após a morte de Jesus
B-( )800 anos após ser profetizado
C-( )40 dias após a ressurreição
07-Complete:
O estilo de vida dos novos convertidos era a perseverança na_________________,na ___________, no__
________do____________, nas___________________. Além desta perseverança eles tinham_________
na alma, estavam__________ e tinham tudo em_______________________.
08-Associe a segunda coluna de acordo com a primeira
( )Porta formosa ( )mais elevado tribunal Judaico
( )Pórtico de Salomão ( )coletânea de preceitos rabínicos
( )Sinédrio ( )colunata situada no lado oriente to templo
( )Talmude ( )revestida de ouro e prata
09-Associe a segunda coluna de acordo com a primeira
( )Teofania ( )manifestação visível de Deus
( )Barnabé ( )nosso Mestre
( )Teúdas ( )Filho da Consolação
( )Raban ( )Gerrilheiro
10-Sobre Barnabé responda:
A)-De quem era primo?___________________________________________________________________________
B)-Era líder de qual comunidade?____________________________________________________________________
C)-Era natural de onde?__________________________________________________________________________
Modulo Básico: Nível I – Tema: Plano de Salvação
Lição I – A Bíblia
A) A Bíblia é constituída por 66 livros distintos, começando com Gênesis e terminando com Apocalipse, são divididos em duas seções principais: a primeira é chamada O Velho Testamento e contém trinta e nove livros, enquanto a segunda denomina-se O Novo Testamento e contém vinte e sete livros.
B) A Bíblia foi escrita por trinta e seis autores, os quais foram inspirados por Deus para escreverem sua vontade e propósito para a humanidade. (II Pedro 1:21 e II Pedro 3:16)
C) Assim verificamos que a Bíblia é a Palavra de Deus. Não basta dizer que ela contém a Palavra de Deus, pois isso poderia dar a entender que partes dela são inspiradas e partes não são; todas as partes da Bíblia são inspiradas. “Toda Escritura é inspirada por Deus”.
D) A Bíblia é a única revelação escrita que Deus tem dado ao homem. (Gálatas 1:6-9)
E) Embora a Bíblia seja constituída por sessenta e seis livros, há um Tema principal com a qual ela se ocupa. Cristo é o grande Tema da Escritura. O Velho Testamento contém muitas predições, ou profecias concernentes a Cristo, e o Novo Testamento relata Sua vinda.
F) A Bíblia é o registro da História do mundo desde o inicio dos tempos até o futuro, quando haverá novo céu e nova terra.
G) A Bíblia contém a revelação dos pensamentos de Deus, nos mostra o estado do homem, do caminho da salvação, do julgamento dos pecadores e da felicidade dos crentes. Suas doutrinas são santas, seus preceitos requerem obediência, suas histórias são verdadeiras, e imutáveis as suas decisões.
Lição II – Deus
A) A Bíblia apresenta Deus como o criador do universo. (Gênesis 1 e 2)
B) Deus é espírito, isto significa que não possui corpo. (João 4:24)
C) Embora seja invisível, Ele pode revelar-se ao home em forma visível. Na pessoa de Jesus Cristo, Deus veio ao mundo em um corpo humano. (João 1:14-18; Colossenses 1:15; Hebreus 1:3)
D) A Bíblia ensina claramente que há um só Deus. (I Timóteo 2:5)
E) A Bíblia não somente ensina que há um só Deus, mas também que há três pessoas na Divindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Mateus 3:16-17: Mateus 28:19; II Coríntios 13:13)
F) O Pai, o Filho e o Espírito Santo são reconhecidos como Deus. (Romanos 1:7; Hebreus 1:8; Atos 5:3-4)
G) Podemos definir Deus através de suas qualidades ou características que são seus atributos.
H) Deus é Onipresente. Isto significa que Ele está presente em todo lugar ao mesmo tempo. (Jeremias 23:24)
I) Deus é Onisciente. Isto quer dizer que Ele sabe todas as coisas, conhece cada pensamento e cada ação do homem e sabe tudo quanto se passa com a natureza, ainda que seja a morte de pardal. (Mateus 10:29)
J) Deus é Onipotente. Isto significa que Ele tem todo o poder. Pelo seu poder, criou e mantém o universo sob seu controle. Não há nada que Ele não possa fazer. (Mateus 19:26)
K) Deus é Eterno. Isto é Ele nunca teve principio e jamais cessará de existir. (Salmos 90:2)
L) Deus é Imutável. Ele não muda. (Malaquias 3:6)
M) Deus é Santo, Ele é absolutamente puro e sem pecado. Ele odeia o pecado e ama a bondade. Por isso Ele tem que se apartar dos pecadores e punir o pecado. (Isaias 56: 1-2)
N) Deus é Justo. Tudo quanto Ele faz é correto e sem falha. Ele cumpre todas as Suas promessas.
(Salmos 119:137)
O) Deus é Amor. Embora odiando o pecado Ele ama os pecadores. (João 3:16)
Lição III – Satanás
A) Lúcifer foi o mais alto ser criado por Deus, mas por causa da sua soberba e do seu orgulho se rebelou contra Deus e foi expulso. (Isaias 14:12:15; Ezequiel 28:12-17)
B) Depois da queda de Lúcifer seu nome foi mudado para Satanás onde passou a essência do mal.
C) Satanás é chamado de: “o enganador” (II Coríntios 11:3), “Anjo de Luz” (II Coríntios 11:14), “o tentador” (I Tessalonicenses 3:5), “o acusador” (Apocalipse 12:10), “príncipe das potestades do ar” (Efésios 2:2), “deus deste mundo” (II Coríntios 4:4).
D) O objetivo de Satanás é matar, roubar e destruir, impedindo que as pessoas aceitem a Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas. (João 10:10)
E) O diabo é o nosso inimigo (I Pedro 5:8)
F) Existe uma guerra espiritual e precisamos nos preparar muito bem. (Efésios 6:11-12)
Lição IV – O Homem
A) Os filósofos e os cientistas apresentam várias teorias de que o homem veio de animais inferiores, mas a Bíblia nos declara que Deus criou o Homem. (Gênesis 1: 1-27)
B) O principal propósito da criação do homem é de glorificar a Deus. (Isaias 43:7)
C) O homem é um ser composto de corpo alma e espírito. (I Tessalonicenses 5:23)
D) O corpo é esta estrutura material, a alma é o centro das emoções e das paixões, enquanto o espírito denota a nossa capacidade de conhecer e raciocinar.
E) O homem foi criado com livre arbítrio, para que se escolhe servir a Deus voluntariamente e de amá-lo livremente.
F) Quando o homem foi criado com vontade própria, Satanás imediatamente tratou de tentá-lo e de fazê-lo sair do caminho da obediência. (Gênesis 3)
G) Quando Adão pecou desobedecendo foi expulso da presença de Deus, e sua Natureza pecaminosa foi transmitida a todos os membros da raça humana. (Romanos 5:12)
Lição V – O Pecado
A) O pecado foi herdado pela humanidade inteira, por isso somos todos pecadores. (Romanos 5:12-18)
B) Toda vez que transgredimos a lei de Deus pecamos.
C) O primeiro pecado cometido de que há noticia, ocorreu no céu, onde o anjo Lúcifer ambicionou ser igual a Deus. (Isaias 14:12-14)
D) O primeiro pecado cometido no mundo ocorreu no Jardim do Éden, onde Adão e Eva desobedeceram a Deus. (Gênesis3)
E) O castigo do pecado é a morte espiritual na vida do ser humano. (Romanos 6:23)
F) O pecado também trouxe morte física ao homem.
G) O Pecado do homem trouxe a maldição de Deus sobre toda a criação. (Gênesis 3:14-19)
H) o pecado az separação de Deus. ( Romanos 3:23)
I) A solução para o pecado do homem é Jesus Cristo. (João 14:6)
Lição VI – Jesus Cristo
A) Os atributos de Deus são empregados ao falar-se de Cristo, isto significa que Ele é Deus. Nas escrituras vemos: 1- Cristo não teve principio (João 17:5); Seu poder (Apocalipse 1:18); 3- Sua onisciência (João 21:17); 4- Sua imutabilidade (Hebreus 13:8).
B) As obras de Deus foram realizadas por Cristo: 1- Ele criou todas as coisas (João 1:3); 2- Ele sustenta o universo (Colossenses 1:16); 3- Ele ergueu-se entre os mortos (João 2:19).
C) Os títulos de Deus são aplicados a Cristo: 1- Deus-Pai Chama Deus ao Filho (Hebreus 1:8); 2- Os homens chamam-lhe Deus (João 20:28); 3- Os demônios reconheceram-no como sendo Deus (Marcos1:24); 4- Ele declarou-se a Si mesmo como sendo Deus (João 10:30).
D) A vinda de Cristo predita no velho testamento (Isaias 7:14)
E) O nascimento de Jesus foi diferente de todos: 1- Foi concebido pelo Espírito Santo (Lucas 1:35); 2- Nasceu de uma virgem (Mateus 1:23); 3- Foi homem possuindo um corpo (Hebreus 10:5), alma (Mateus 26:38) e espírito (Lucas 23:46)
F) Cristo veio em forma humana a fim de: 1- Revelar o Pai (João 14:9); 2- Destruir o poder do pecado (Hebreus 9:26); 3- Destruir as obras do diabo (I João 3:8)
G) A morte de Cristo foi necessária para salvação do homem (Efésios 1:7)
H) A ressurreição de Cristo foi necessária para cumprimento das profecias, para completar a obra na cruz. (Romanos 4:25)
Lição VII – O Novo Nascimento
A) Novo nascimento não é de geração natural ou hereditária “não do sangue”. O fato de uma pessoa ser filha de pais cristãos não a torna cristão. (João 1:13)
B) Novo nascimento não é produto de um esforço de vontade “nem da vontade da carne”: Assim como uma criança não impor a sua vontade e nascer fisicamente, assim também ninguém pode alcançar o novo nascimento por auto-esforço. (João 1:13)
C) Novo nascimento não é resultado da meditação humana “nem da vontade do varão, mas de Deus”. Nenhum ser humano, por eminente que seja a sua posição eclesiástica, pode transmitir a outrem o novo nascimento. Qualquer rito ou cerimônia não podem produzir a novo nascimento (João 1:13)
D) Novo nascimento não é uma reforma ou auto-aperfeiçoamento mediante a qual se vão abandonando maus hábitos. Não é uma mudança nas maneiras, mas no homem.
E) Novo nascimento não é uma crença religiosa. É possível ser sincero pelo que respeita as convicções religiosas, ser batizado, confirmado, agregado ‘a igreja’; toma a comunhão, ocupar um cargo na igreja sem ter nascido de novo. (João 3:1-21)
F) Novo nascimento é uma mudança espiritual (v.8), que só pode efetuar por Deus (João 1:13)
G) Precisamos receber a Cristo como Salvador e Senhor através de um convite pessoal. Só então podemos conhecer e experimentar o amor e o plano de Deus para nossas vidas. (João 1:12)
H) recebermos a Cristo pela fé. Isto significa arrependimento, deixar de confiar em nossos próprios esforços, crendo que Cristo ao entrar em nossas vidas, perdoa nossos pecados e nos dirige segunda a sua vontade. (Efésios 2:8, 9)
I) Quando você aceitou Cristo como Salvador de sua vida algumas coisas aconteceram: 1- Cristo entrou em Sua vida (Colossenses 1:27), 2- Seus pecados foram perdoados ( Colossenses 1:14), 3- Você se tornou filho de Deus (João 1:12), 4- Você começou a viver a nova vida para a qual Deus o criou (João 10:10, II Coríntios 5:17 e I Tessalonicenses 5:18), 5- Você ganhou a vida eterna (I João 5:11-13).
Lição VIII - Crescimento Espiritual
A) Crescimento espiritual é resultado de se confiar em Jesus Cristo. Uma vida de Fé o capacitará a confiar em Deus de maneira crescente em todos os aspectos da sua vida. (Gálatas 3:11)
B) Precisamos cultivar uma vida de oração com Deus, isto vai nos fortalecer a viver uma vida cheia do espírito Santo. A oração é como o ar que respiramos se deixarmos de respirar morreremos.
(I Tessalonicenses 5:17)
C) Alimentar-se através da leitura diária da palavra de Deus. A Bíblia é como o alimento que nós comemos, precisamos fazer varias refeições durante o dia para que o nosso corpo não fique enfraquecido, da mesma forma precisamos nos alimentar espiritualmente todos os dias para não ficarmos debilitados. (Mateus 4:4)
D) Estar sempre disposto a obedecer a vontade de Deus. (João 14:21)
E) Ser uma testemunha fiel, no viver e no falar (Mateus 4:19, João 15:8)
F) Consagrar a Deus seu corpo, tempo e talentos (I Coríntios 6:19,20)
G) Esperar de Deus a orientação para vida (I Pedro 5:17)
H) Revestir-se do Poder do Espírito Santo para uma vida vitoriosa. (atos 1:8, gálatas 5:16,17)
Estudos teologicos - Livros Poéticos
APOSTILA DE LIVROS POÉTICOS
JÓ
Autor. O livro de Jó trata de um dos maiores mistérios – o de sofrimento. A pergunta que ressoa por todo o livro é: por que sofrem os justos? Jó, um homem descrito como perfeito, é despojado da riqueza, dos filhos e da saúde. Suporta estas aflições com constância.
Jó não compreende a causa dessas calamidades, mas resigna-se como pensamento de que Deus, envia aos homens, tanto o mal como o bem, e que Deus tem o direito de com as suas criaturas o que lhe aprouver. Assim pois, os homens devem aceitar o mal sem fazer queixa. Os amigos de Jó argumentam que, sendo o sofrimento resultado de pecado e sendo Jó o mais aflito dos homens, deveria ele ser o mais ímpio de todos. Jó fica indignado e nega a acusação de ter cometido pecado, levando sua negação até o ponto de auto-justiça. Na conclusão da discussão entre Jó e seus amigos, Eliú fala, condenando Jó por sua auto-justiça e os outros por sua áspera condenação de Jó. Continua explicando que Deus tem um propósito ao enviar o sofrimento aos homens; que Ele causou as aflições para experimentar o caráter de Jó e como um meio de revelar-lhe um pecado do qual até então não se tinha dado conta: auto-justiça.
Autor. O autor de Jó é desconhecido. Acredita-se que Eliú pode tê-lo escrito (32:16).
CONTEÚDO
I . O ataque de Satanás contra Jó (1:1 a 2:10).
II. Jó e seus amigos (2:11;31:40).
III. A mensagem de Eliú (caps.32:37)
IV. A resposta de Jeová a Jó (caps.
V. Conclusão (42:7-17).
I. O ATAQUE DE SATANÁS CONTRA JÓ
Em que outro lugar das escrituras se menciona Jó? (Ezequiel 14:14, Tiago 5:11). Que se diz acerca de seu caráter? Da sua prosperidade e da sua piedade? Os “os filhos de Deus” mencionados em 1:6 são evidentemente os anjos que vinham diante de Deus em certas ocasiões, provavelmente para dar uma informação de seu ministério na terra (Hb.1:14). Como um Judas entre os apóstolos, Satanás aparece entre os anos. Porque tinha acesso à presença de Deus é um mistério, mas Apocalipse 12:10 ensina claramente que tinha admissão ao céu, e que ali toma parte de “acusador de nossos irmãos” (vide também Lucas 22:31). Notamos no versículo 7 o que Satanás disse acerca de sua atividade com relação ao mundo (comp.I Pedro5:8).
Deus apresenta Jó como um homem perfeito e temente a Deus, um que tem fugido à corrupção do mundo. Satanás admite isto, mas impugna o motivo de Jó. Sua contestação é que Jó serve a Deus por conveniência, porque isto lhe traz prosperidade. Ao caluniar Jó, Satanás também ataca a Deus, porque suas palavras insinuam que Deus, não pode ganhar o amor desinteressado da parte do
1
homem. Deus, desejando justificar o Seu próprio caráter e o de seu servo, tem apenas a alternativa de sujeitar Jó a uma prova. É um consolo saber que aflição dos filhos de Deus por Satanás só tem lugar com a permissão de divina. Dos capítulos 1:21 e 2:10 vemos que Jô justificou a confiança que Deus tinha nele.
II. JÓ E SEUS AMIGOS (caps, 2:31 e 31:40)
Vimos a causa das aflições de Jó sob o ponto de vista divino. Agora veremos as opiniões de seus amigos a respeito da causa das suas dificuldades. Devem recorda-se que as suas palavras em si mesmas não são inspiradas, porque o próprio Senhor as acusou de erro (42:8). É o registro dessas palavras que é inspirado. Embora estes homens dissessem muitas coisas certas, não disseram a verdade completa.
Aprendam-se os seguintes pontos que resumem os discursos dos amigos de Jó .
1. Afirmam que o sofrimento de é o resultado do pecado. Assim sendo,
se uma pessoa está aflita, deve concluir por certo, que haja pecado.
2. A medida da aflição indica o grau do pecado. Argumentam que sendo
Jó o homem que mais sofria, deve ser ele o maior dos pecadores.
3. Dizem a Jó que se ele arrepender-se de seus pecados, Deus restaurar-lhe-á a felicidade. Avisam-no que se procurar justificar-se a si mesmo, isto retardará a sua restauração.
4. Admitem que algumas vezes os ímpios prosperam, mas dizem esta prosperidade é transitória, porque logo passará, e a retribuição divina lhes sobrevirá.
Podemos resumir as respostas de Jó a seus amigos da seguinte maneira:
1. Jó afirma que é possível que um homem justo seja afligido. Considera crueldade da parte de seus amigos acusarem-no de pecado por causa de suas aflições. Ele mesmo não compreende o propósito de Deus
2. Mais tarde Jó desmente algumas de suas asseverações extravagantes,
admitindo que Deus aflige geralmente os ímpios e abençoa os justos. Insiste ainda que há exceções à regra, como por exemplo: a aflição de um homem ímpio. Por causa destas exceções, é injusto chegar à conclusão de que um homem é pecador devido aos seus sofrimentos.
3. Jó crê que é nosso dever adorar a Deus embora estejamos sofrendo calamidades não merecidas; mas devemos abster-nos de julgar claramente aqueles que, quando estão em angústia, proferem queixas contra Deus.
III. A MENSAGEM DE ELIÚ (Caps. 32:37)
O discurso de Eliú pode resumir-se da seguinte maneira:
1. Disse a Jó que fez mal em vangloriar-se da sua integridade (33:8-13), e de fazer parecer que Deus lhe dava recompensas. Deus não é devedor de ninguém (35:7). Por mais que seja Jô, não tem o direito de exigir alguma coisa de Deus, porque alguma coisa de Deus, porque todos os homens são pecadores ante Sua vista.
2
2. Admite que as calamidades são castigos pelos pecados cometidos, mas ao mesmo tempo são corretivos. Podem ser infligidos aqueles que são relativamente mais justos do que outros. Se o fim aflição for alcançado e a falta reconhecida pelo aflito, Deus abençoará com uma felicidade maior do que antes (33:14-33). Depois ele expõe a majestade e a perfeição de Deus na criação, reprovando Jó por procurar questionar com Ele em de humilhar-se e confessar sua culpa (caps. 36,37).
IV. A RESPOSTA DE JEOVÁ (Caps. 38:1 a 42:16)
“Deus fala a Jó somente para iniciar a discussão. Ele não discute com ele mas proporciona-lhe revelações das mais eficientes, pelas quais desafiam Jó nas suas próprias premissas erradas. Primeiro desafia o erro de Jó em pôr em questão o Todo-poderoso. Ao julgar a Deus, Jó assumiu autoridade igual à pessoa daquele que media, a saber: ao Eterno Criador de todas as coisas. Nos capítulos 38,39, desafia a capacidade de Jó para julgar, como se este estivesse direta e pessoalmente familiarizado com todas as coisas desde o princípio das mesmas. Isso faz calar Jó, um homem de existência e conhecimento original tão curtos. Deus então revela a Jó Sua surpreendente destreza em criar e governar de uma maneira benévola os monstros mais espantosos do mundo antigo. O beemonte, o leviatã, o hipopótamo e o crocodilo do Nilo evidentemente servem como instruções simbólicas de Sua habilidade em criar e governar, de uma maneira benévola, as mais espantosas dificuldades que um Pai onisciente e amoroso permita ao “leão rugente” infligir. Jó agora rompe o silêncio em adoração e humilhação perante Deus. Confessa que o que havia aprendido teoricamente antes de receber a certeza da sabedoria e bondade divina, é agora para ele uma bendita realidade. Esta certeza satisfaz e regozija o seu coração de tal maneira que qualquer idéia de sustentar seus próprios méritos, sob qualquer providência de Deus, fica excluída para sempre”.
V. CONCLUSÃO (Caps. 42:1-17)
Os últimos versículos de Jó ilustram Tiago 5:11; “Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que Senhor lhe deu; porque é muito misericordioso e piedoso” (quer dizer, vistes no resultado o tratamento de Deus como Jó, a manifestação de Sua compaixão e ternura).
OS SALMOS
O livro dos Salmos é uma coleção de poesias hebraica inspirada, mostrando a adoração e descrevendo as experiências espirituais do povo judaico. É a parte mais íntima do Antigo Testamento, dando-nos uma revelação do coração judeu santo, e percorrendo todas as escolas de suas experiências com Deus e a humanidade. Nos livros históricos vemos Deus falando acerca do homem, descrevendo seus fracassos e seus êxitos; nos livros proféticos vemos Deus falando ao homem, admoestando os ímpios e condenando os justos à luz do futuro. Mas nos salmos vemos os homens falando a Deus, descobrindo o seu
3
coração em oração e elogio e falando acerca de Deus, descrevendo e exaltando-o
pela manifestação de Seus gloriosos atributos. Enquanto o santo do Velho Testamento fala desta maneira a seu Deus, fosse qual fosse a sua experiência, fosse a prosperidade ou a adversidade, benção ou castigo, o êxtase mais elevado ou desalento mais profundo, sempre predomina uma nota por toda a sua adoração - a de louvor. O crente do Antigo Testamento pode louvar a Deus em todas as circunstâncias, porque a Sua fidelidade no passado é uma garantia de Sua fidelidade no futuro. Esta comparação do passado e do futuro foi também o que ocasionou a introdução do elemento profético nos Salmos. Porque o escriba ou profeta, vendo o fracasso do reino e dos reis terrestres de Israel, prorrompeu em palavras inspiradas acerca do reino glorioso de Deus e de Seu glorioso Rei – o Messias. Podemos resumir desta maneira o tema dos Salmos: Deus deve ser louvado em todas as circunstâncias da vida; e isto por causa da Sua fidelidade no passado, ao qual é uma garantia de Sua fidelidade no futuro.
Autores. Muitos dos Salmos são anônimos e a autoria de alguns está
Davi. É considerado como o autor dos 71 Salmos que levam o seu nome.
Asafe, o diretor do serviço do coro do templo no tempo de Davi, que também é um profeta (I Cr.6:39; II Cr. 29:30).
Salomão, rei de Israel.
Moisés, o chefe e legislador de Israel.
Ema, um cantor e profeta do rei (I Cr. 6:33; 15:19; 25:5,6).
Esdras, um escriba que ensinava a lei aos judeus depois do cativeiro.
Etã, um cantor (I Cr.15:19).
Ezequias, rei de Judá.
Os filhos de Coré dirigentes da adoração em Israel.
Jedutum, cantor-mor no Tabernáculo (I Cr.25:10).
CONTEÚDO
Na Bíblia hebraica os Salmos estão divididos em cinco livros, da seguinte maneira.
Livro I. começa com Salmo 1.
Livro II. começa com Salmo 42.
Livro III. começa com Salmo 73.
Livro IV. começa com Salmo 90.
Livro V. começa com Salmo 107.
Sugere-se a seguinte classificação dos Salmos. Leia os Salmos mencionados nesta classificação. Recordem os cinco pontos principais da classificação.
1. SALMOS DE INSTRUÇÃO: sobre o caráter dos homens bons e maus,
sua fidelidade e sua miséria, (Sl.1) sobre a excelência da lei divina (19,119); sobre a futilidade da vida humana (90); deveres dos que governam (82); humildade(131).
2. SALMOS DE LOUVOR E ADORAÇÃO: Reconhecimento da bondade e do cuidado de Deus (23,103); Reconhecimento de Seu poder e de Sua glória (8, 24,136,148).
4
3. SALMO DE AÇÃO DE GRAÇAS: Pelas misericórdias para com os indivíduos (18,34) pelas misericórdias com os israelitas em geral (81,85).
4. SALMOS DEVOCIONAIS: Os sete Salmos penitenciais (6,32,38,51,102,130,143): expressivos de confiança sob a aflição (3,27); expressivos de extrema aflição, mesmo assim não sem esperança (13,77); orações em tempo de aflição severa; (4,28,120); orações quando privado do culto público (42); orações em tempo de aflição e perseguição (44); oração de intercessão (20,67).
5. SALMOS MESSIÂNICOS: 2,16,22,40,45,72,110 e 118.
6. SALMOS HISTÓRICOS : 78,105, E 106.
Tendo em vista a sua importância, conteúdo profético e beleza, destacamos os Salmos 22,51,110 e 119, para uma apreciação mais profunda.
SALMO 22
O salmo 22 é uma figura pitoresca da morte pela crucificação. Os ossos (das mãos, dos braços, dos ombros e da pélvis) desconjuntados (v. 14); as forças exauridas e a sede intensa (v.15); as e os pés perfurados (v.16, comp. Jo. 20:20); nudez parcial com atentado à modéstia (v.17), tudo está associado com o modo da morte. As circunstâncias acompanhantes eram precisamente aquelas que se cumpriram na crucificação de Cristo. O grito desolado do v.1 (Mt.27-46); os períodos de luz e trevas do v.2 (Mt.27:45); o tratamento desprezivo e humilhante dos vs.(6-8, 12-13) (Mt.27:38-44); o deitar das sortes do v. 18 (Mt.27:35), onde tudo se cumpriu literalmente. Quando nos lembramos que a crucificação era uma forma romana, não judia, de execução, a prova da inspiração torna-se irresistível.
No v. 22, o Salmo passa da crucificação para a restauração; cumpriu-se no “vai ter com os meus irmãos”, etc., de Jo. 20:17. o Cristo ressuscitado declara a Seus irmãos o nome, “Pai”.
Os versículos 26-31 contam os resultados dos sofrimentos e da libertação descritas no Salmo e provam sua referência messiânica além de qualquer questão. Possivelmente não de poderia dizer que o sofrimento e as subseqüente libertação de qualquer simples ser poderia resultar na alimentação dos sofredores e dos opulentos (vs. 26,29), os confins da terra se convertendo ao Senhor (v.27), todos os mortos finalmente se prostrando diante dele (v.29), e no nascimento de um povo (v.31).
SALMO 51
O Salmo 51 deves ser, em seus passos sucessivos, o padrão da experiência do crente pecador que retorna à plena comunhão e serviço. Os passos são: 1) o pecado totalmente julgado diante de Deus (vs.1-6); 2) perdão e purificação através do sangue (v.7); 3) purificação (vs. 7-10; comp. Jo.13:4-10; Ef. (5:26; I Jo.1:9); 4) cheio do Espírito para alegria e poder (vs. 11-12) 5)
5
serviço (v.13) 6) adoração (vs.14-17); e 7) o crente restaurado em comunhão
com Deus. Pessoalmente, foi o caminho de Davi à comunhão restaurada depois de seu pecado com Bate-Seba. Profeticamente, pode ser o caminho do retorno de Israel (Dt.30:1-10).
O hissopo referido v.7 é um pequeno arbusto (I Reis 4:33) com o qual o sangue e água da purificação eram aspergidos (Lv.14:1-7; Nm.19:1-19).
A purificação nas escrituras tem dois aspectos: 1) de um pecador da culpa do pecado - o aspecto do sangue (hissopo); 2) o de um santo da contaminação do pecado – o aspecto da água (lava-me). Sob a graça, o pecador é purificado pelo sangue quando crê (Mt. 26:28; Hb.1:3; 9:12; 10-14). Ambos os aspectos da purificação, pelo sangue e pela água, são apresentados em Jo.13:10; Ef.5:25-26). “Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais está todo limpo”; também Cristo amou a igreja, e a Si mesmo se entregou por ela (redenção pelo sangue); para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra”, corresponde ao “lava-me”do v.7.
Versículo 11. nenhum crente da atual Dispensação da igreja precisaria orar: Não “me retires do teu Santo Espírito”, pois Cristo prometeu aos Seus que o Espírito ficaria “para sempre convosco”(Jo. 14:16; comp.Ef.14:16; comp. Ef.4:30). Mas sempre é apropriado que o cristão ore para ser conformado às condições essenciais do pleno ministério do Espírito.
SALMO 110
A importância do Salmo 110 percebe-se pelo destaque notável dão a ele no Novo Testamento. 1) Ele declara a divindade de Jesus , respondendo assim àqueles que negam o significado divino total do Seu título de Senhor do Novo Testamento(v. 1;Mt.22:41-45; Mc. 12:35-37; Lc. 20:41-44; At. 2:34-35; Hb.1:13; 10:12-13). 2) Ele anuncia o sacerdócio eterno do Messias – uma das declarações mais importantes das escrituras (vs.4; Gn.14:18; Jo.14:6; I Tm.2:5-6: Hb.5:6; 7:1-28). 3) Historicamente, o Salmo 110 começa com ascensão de Cristo (v. 1: Jo.20:17; At. 7:56; Ap.3:21). E 4) profeticamente olha par ao futuro: a) para o dia quando Cristo vai aparecer como o Cetro de poder do Senhor, o Libertador de Sião (Rm. 11:25-27), e para a conversão de Israel (v.3; Jl.2:27; Zc.13:19; veja Dt.30:1-9) e b) para o julgamento dos poderes gentios que precede o estabelecimento do reino (vs. 5-6; Jl.3:9-17; Zc.13:1-4; Ap.19:11-21).
SALMO 119
O Salmo ,119 é um acróstico e é o mais bem trabalhado dos Salmos alfabéticos. Está dividido em vinte e duas seções correspondendo às vinte e duas letras do alfabeto hebraico. Os oito versículos de dada seção começam com a mesma letra, na devida seqüência do alfabeto conforme indicado no começo de cada seção. Por exemplo, cada um dos oito primeiros versículos começam com ALEFE, cada um dos próximos oito primeiros, com BETE; depois com GUIME, DÁLETE, HÊ, VAU, ZAIIN, HETE, TETE, JODE, CAFÉ, LÂMEDE, MEN, NUM, AIIN, PÊ, TSADÊ, COFE, RECHE, CHIM E TAU.
Este Salmo, nascido do amor à lei de Deus, exalta as belezas e as
6
excelências da Palavra de Deus escrita, de uma forma única na Bíblia. A palavra
de Deus é tratada sob as seguintes designações: 1) lei; 2) palavra (palavras); 3) ordenanças; 4) mandamentos; 5) preceitos; 6) testemunhos; 7) estatutos; e 8) “juízos”e “ordenanças”são traduções da mesma palavra hebraica. Apenas os vs. 90,121,122,e132 não apresentam um sinônimo para a lei.
As nuances de significado das palavras empregadas são as seguintes: “Lei” é principalmente instrução ou ensinamento, portanto toda a revelação de Deus de Deus para a vida. “Palavra” é enunciação uma palavra generalizada para a revelação da vontade de Deus. “Ordenanças” ( também “Juízos”) refere-se a pronunciamentos legais, regras de administração divina. “Mandamentos” são ordens autoritárias usadas como princípios religiosos. “Preceitos” relacionam com as obrigações morais do homem prescritas por Deus “Testemunhos” indicam as declarações do próprio Deus quanto á sua natureza e propósito. “Estatutos” referem-se em outras passagens e decretos civis e religiosos da lei mosaica. A palavra “caminho” é usada como sinônimo de todos estes termos.
São também Salmos alfabéticos os de números 9, 10, 25, 34, 37, 111, 112, e 145. Acrósticos semelhantes se encontram em Provérbios 31:10-13 e Lamentações 1-4.
PROVÉRBIOS
(Leiam pelo menos dez capítulos)
Tema. O livro de Provérbios é uma coleção de expressões curtas e concisas contendo lições morais. O propósito do livro é declarado logo no princípio, a saber: dar sabedoria aos jovens ( 1:1-7). É o livro prático do Velho Testamento, aplicando os princípios de justiça, pureza e piedade à vida diária. A sabedoria que é ensinada, não é meramente carnal, ou prudência comum, mas sim baseada no temor do Senhor (1:7). Podemos assim, resumir o seu tema: sabedoria prática, tendo como fonte e base o caráter religioso. O princípio da sabedoria é o temor de Jeová.
Autores. O próprio Salomão escreveu a maioria dos provérbios (I Reis 4:32; Ec.1:13; 12:19). Da referência em certos lugares às “Palavras do Sábio”, crê-se que além de seus próprios provérbios, Salomão colecionou alguns conhecidos no seu tempo, incorporando-os aos seus. Os provérbios nos últimos dois capítulos foram escritos por Águr e Lemuel, autores que a Bíblia não menciona em outra parte.
CONTEÚDO
Damos a seguinte análise:
I. Um discurso sobre o valor e a aquisição da verdadeira sabedoria (caps.
II. Provérbios intitulados “Os Provérbios de Salomão” (caps. 10:1 a 22:16).
III. Admoestações reiteradas sobre o estudo da sabedoria intitulados “As palavras dos sábios”(22:17 a 24:34).
7
IV. Provérbios de Salomão colecionados pelos homens de Ezequias (caps. 25-29).
V. As instruções sábias de Agur aos seus discípulos, Itiel e Ucal, e as lições ensinadas ao Rei Lemuel por sua mãe (caps. 30, 31).
ECLESIASTES
Titulo. A palavra “Eclesiastes ”significa o pregador”. Pode ter sido assim chamado pelo fato de ter Salomão, depois de sua triste experiência e as lições aprendidas.
Tema. No livro dos provérbios tomamos conhecimento da sabedoria que tem o seu princípio
Autor. (vide 1:1 ,26; 12(9).
CONTEÚDO
I. A Futilidade do Prazer e da Sabedoria Humana ( caps. 1,2).
II. A Felicidade Terrestre, Seus Obstáculos e Meios de Progresso (caps. 3-5).
III. A Sabedoria Verdadeira e Prática (6:1 a 8:15).
IV. A Relação entre a Verdadeira Sabedoria e a Vida do Homem (caps. 8:16 a 12:14).
Ao ler o Eclesiastes o estudante encontrará muitos ensinamentos sadios, e muitos que contrariam as doutrinas da Bíblia. (Leiam 1:5, 2:24;3:3,4,8,11,20, 7:16,17;18:15). Devem recordar-se que o livro é o registro inspirado das palavras não inspiradas do homem natural, arrazoando sobre experiências humanas e a providência divina. Da mesma maneira a Bíblia contém muitas palavras proferidas pelos ímpios. As palavras não são inspiradas, mas o registro das mesmas é inspirado.
A FUTILIDADE DO PRAZER E DA SABEDORIA HUMANA.
(Caps. 1,2)
8
Em 1:1-3, Salomão estabelece o tema de seu discurso: a futilidade de todos os esforços humanos. Todo o esforço é em vão, porque o espírito que investigaria os segredos da vida não está satisfeito. Os homens vêm e vão sem descobrir a solução dos problemas da vida, mas o mundo continua a existir com os seus mistérios não resolvidos (1:4-18). Assim a sabedoria teórica do homem fracassa. Salomão aplica agora a sua sabedoria prática ao problema de encontrar a felicidade ( cap. 2). Ele experimenta a alegria, o riso (vers.1,2), o vinho (v. 3), construções (v. 4), riqueza e música ( vers. 5-8). O resultado final da sua investigação encontra-se no versículo II – a decepção. Enche –se de desespero e de fadiga ao ver que com toda a sua sabedoria, não é mais adiantado, do que tolo qualquer em sua tentativa de resolver os problemas da vida (vers. 12-19). Ao ver que terá que deixar as riquezas a um que nunca trabalhou por elas, riquezas que fora acumuladas por meio de tanto trabalho, e que não lhe trouxeram satisfação, sente-se dominado pelo desânimo e pela futilidade do esforço de que a melhor coisa para o homem natural, é extrair o maior prazer possível desta vida, e ao mesmo tempo esforça-se ao máximo a viver uma vida moral (vers. 24,25).
II. A FELICIDADE TERRESTRE, SEUS OBSTÁCULOS E MEIOS DE PROGRESSO (Caps. 3-5)
Salomão argumentava que, a fim de alcançar a felicidade, o homem deve regozijar-se nos benefícios dela e fazer o devido uso dos mesmos (cap.3). Na melhor das hipóteses, a felicidade humana é limitada, porque todas as ações e todos os serviços humanos são restritos por uma lei superior e inalterável, e dependem dela. Em outras palavras, tudo o que acontecer, porque todas as coisas têm o seu tempo. O homem não pode alterar esta ordem; assim sendo, deve submeter-se a ela extraindo da vida toda a felicidade possível (vers.1-15). A felicidade humana está escrita por causa da ignorância acerca das coisas da vida futura. Tão incerta é para ele a esperança de uma vida futura que duvida ser a vida humana melhor neste sentido do que a dos animais (vers. 16-21). Por causa desta incerteza de uma vida no além túmulo não há nada melhor a fazer do que gozar da vida atual (V. 22).
Ele passa a mencionar os obstáculos da felicidade, (4: 1-16), mencionando o infortúnio pessoal de muitos homens (vers. 7-12) e os males da vida civil (vers. 13-16).
Sugere-se que a felicidade se alcança por entregar-se ao culto a Deus (5:1-7), abstendo-se de avarezas, injustiças e violências (vers. 8-17); e pelo gozo moderado dos prazeres e tesouros da vida concedidos por Deus (vers. 18-20).
III. A VERDADEIRA SABEDORIA PRÁTICA
(Caps. 6:1 a 8:15)
A verdadeira sabedoria não consiste em esforça-se para descobrir as fontes terrestres de felicidade (6:1-2), porque mesmo aqueles que possuem riquezas, não alcançam o gozo verdadeiro e duradouro (vers. 1-6), e nunca escapam do sentimento de sua futilidade e da incerteza do futuro (vers. 7-12).
9
A verdadeira sabedoria consiste no desprezo do mundo das vãs concupiscência ( 7: 1-7) num espírito quieto e resignado ( vers.8: 14) e num fervoroso temor a Deus e sincero reconhecimento do pecado (vers. 9-15).
Esta sabedoria deve ser conservada apenas das concupiscências mundanas (7:23-29); apesar das tentações de deslealdade e rebelião ( 8:1-8); e apesar das operações injustiças (vers. 9-15).
IV. A RELAÇÃO DA VERDADEIRA SABEDORIA A VIDA DO HOMEM (Caps. 8:16 a 10:20)
A maneira de Deus tratar o homem às vezes é misteriosa (8:16-9,6), mas isso não deve impedir o homem sábio de tomar parte ativa na vida; antes, ele deveria gozar dessa vida e usa-la de uma maneira proveitosa ( 9:7-10). Embora o resultado do trabalho humano seja às vezes incerto, o homem não deve desanimar na procura de sabedoria (vers. 11-16).
Na presença da insolência, orgulho e violência de insensatos afortunados, o homem sábio deve conservar a sua paz espiritual por meio do silêncio e modéstia (9:17 a 10:20).
VI. A CONCLUSÃO (Caps. 11:1 a 12:7)
Depois desse raciocínio, alguns verdadeiros, e outros parcialmente verdadeiros e outros falsos; Salomão tira suas conclusões, que representam o melhor que o homem natural consegue obter, aparte da revelação, na procura da felicidade e do favor de Deus São as seguintes:
1.A fidelidade na benevolência e na vocação (11:1-6).
2.Gozar desta vida de uma maneira tranqüila e feliz (11:7-10).
3.O temor de Deus para jovens e velhos, em vista de um juízo vindouro (12:17).
4.O temor de Deus e a observância dos Seus mandamentos (12:13,14).
CANTARES DE SALOMÃO
Título. O nome deste livro da Bíblia hebraica é “Cantares de Salomão”chamado evidentemente assim, pelo fato de ser este cântico o principal de todos os Cânticos de Salomão (I Reis 4).
Tema. O livro Cantares de Salomão é uma história de amor, que glorifica o amor puro e natural e focaliza a simplicidade e a santidade do matrimônio.
O significado típico dessa história pode interferir-se do fato de que sob a figura da relação matrimonial se descreve o amor de Jeová para com Israel (vide Oséias caps. 1-3; Isaías 62:4), e o amor de Cristo para com a igreja (Mt.9:15; II Co.11:2; Efésios 5:25; Ap.19:7; 21:2).
Sugere-se o seguinte tema: O amor do Senhor para com Seu povo é tipificado pelo amor da esposa e do esposo.
Notem. Ao ler este livro e estudante deve recordar-se que está lendo uma poesia oriental, e que os orientais usam uma linguagem clara nas mais íntimas das questões – uma clareza de linguagem estranha e algumas vezes
10
desagradáveis à maioria dos ocidentais. Por mais delicada e íntima que seja a linguagem em muitas partes do livro, deve notar-se que não há nada que o ofenderia o mais modesto oriental. O Dr. Campbell Morgan disse: Em primeiro lugar era indubitavelmente um canto de amor terrestre, mas muito puro e muito lindo. Há homens e mulheres que encontrariam indecências no céu – se por acaso chegassem ali ms ocultariam as mesmas as suas almas corrompidas. Para aqueles que vivem vidas simples, estes cânticos são cheios de formosura e expressam a linguagem do amor humano. Finalmente, nas experiências espirituais, expressam a relação daqueles que tem sido ganhos por Deus em Cristo, a Quem amam e conhecem.
Autor. Salomão (1:1).
CONTEÚDO
De todos os livros do Velho Testamento, o Cantares de Salomão é provavelmente o mais difícil a interpretar a analisar. Neste estudo limitar-nos-emos a um breve esboço da história contida no cântico, e nos diálogos entre Salomão e sua noiva.
A história em que está entrelaçado este idílio parece ser esta: O Rei Salomão visita sua vinha no Monte Líbano. Chega de improviso onde está uma formosa donzela sulamita. Ela foge, mas ele vai visitá-la, disfarçado de pastor e a persuade a casar-se com ele. Logo vem recebe-la como rainha. Encaminham-se para o palácio real. Aqui começa o poema e relata a história de amor Dr. Haas.
I. A NOIVA NOS JARDINS DE SALOMÃO (Caps.1:2 a 2:7)
1. A noiva pede um penhor de amor e elogia o noivo (1:1-4).
2. Ela roga às filhas de Jerusalém que não desprezam a sua
humilde origem, e pergunta onde pode encontrar o seu noivo. As donzelas respondem em uníssono (1:5-8).
3. Segue-se então uma conversa amorosa entre Salomão e sua noiva ( 1:9 a 2:7). Salomão fala (1:9-11); a noiva, 1:12-14; Salomão 1:15; a noiva, 1:16 a 2:1; Salomão 2:2 a noiva 2:3-7).
II. AS RECORDAÇÕES DA NOIVA ( Caps. 2:8 a 3:5)
1. Recorda a vista de seu amado numa primavera (2:8-17).
2. Recorda um sonho referente a ele (3:1-5).
III. AS NÚPCIAS (Caps. 3:6 a 5:1)
1. Os habitantes de Jerusalém descrevem a chegada do rei e da noiva ( 3: 6-11).
2. Depois segue-se uma conversa, Salomão (4:1-5; a noiva, 4:6; Salomão 4: 7-16; a esposa 4:16-b; Salomão 5:1).
11
IV. NO PALÁCIO (Caps. 5:2 a 8:4).
2. Salomão entra e a elogia (6:4-9).
3.Diálogo entre o coro de donzelas e a esposa; Coro 6:10; esposa 6:11-12; coro e esposa alternadamente 6:13; coro 7:1-5.
4.Entra Salomão e elogia a esposa (7:6-9)
5.A esposa convida seu amado a visitar o seu lar ( 7:10; a 8:4).
V. O LAR DA ESPOSA (Caps. 8:5-14)
Os habitantes do país falam, 8:5 a ; Salomão 8:5b; a esposa 8:6-7; seus irmãos, 8:8; a esposa, 8:12; Salomão 8:13, a esposa 8:14.
12
Estudos teologicos - Homilética
DEFINIÇÃO
A palavra homilética deriva-se do grego “homiletike”, que significa o ensino em tom familiar. No grego clássico “HOMILOS” significa multidão, assembléia do povo . a igreja primitiva serviu-se desse termo para designar a “assembléia do povo”. Da mesma origem aparece o verbo “homileo” que quer dizer conversar. Este foi usada nas reuniões cristas primitivas, para indicar os discursos familiares feitos por seus dirigentes. De “homileo” adaptou-se o termo homilia.
Hoje entendemos por homilética a arte na preparação de sermões.
Todo pregador deve ter em mente o significado de cada um dos seguintes termos, muitos relacionados entre si, mas distintos quanto a significação: oratória, eloqüência e retórica.
A oratória e a arte de falar em público de forma elegante, precisa, fluente de atrativa.
A eloqüência pode ser desenvolvida na teoria e na prática da oratória; nela o dom natural é que se desenvolve. Entretanto, existem correntes de interpretação que dizem ser ela uma arte, uma técnica.
A retórica é o estudo teórico e pratico das regras que desenvolve e aperfeiçoam o talento natural da palavra, baseando-se na observação e no raciocínio.
A homilética, no seu aspecto técnico e pratico, atinge três elementos que devem ser claramente entendidos: Dom, Conhecimento e o resultado do estudo concentrado e consciencioso da Palavra de Deus. A habilidade é o aproveitamento do dom e do conhecimento na arte de falar, isto é, na pregação. A habilidade pode ser desenvolvida pelo uso e pela experiência.
BENEFÍCIOS DA HOMILÉTICA
A Homilética Desenvolve a Arte de Expressão
Sem dúvida, a homilética contribui eficazmente para que o pregador desenvolva a habilidade de falar, isto é, a arte de expressão. Nem todos possuem o dom natural da palavra, mas aqueles que exercem o ministério ou a ele inspiram devem buscar o aprimoramento no falar.
É verdade que o sucesso de um pregador depende dos seus valores espirituais, mas também é certo que os valores físicos muito influem. O pregador que se expressa mal é ouvido com desinteresse, porém, o que se expressa bem é ouvido comprazer. A arte de expressão constitui-se de vários aspectos, entre os quais, a voz, a técnica oratória e o conhecimento da língua usada.
A voz é o principal veiculo da comunicação verbal. É ela, em suma, o som ou conjunto de sons produzidos na laringe pela vibração das cordas vocais sob a ação do ar vindo dos pulmões, modificados pelos órgãos da fala. A voz pode ser educada, para que os sons saiam livres e agradáveis. A técnica oratória pode ser aprendida na Escola, e desenvolvida através da observação e da experiência. Aprimorar a arte de expressão não anula a inspiração divina; pelo contrário: dá sentido e perfeição ás locuções emitidas. Para que os pensamentos sejam expressos com nitidez e perfeição, o pregador deve desenvolver essa arte no seu ministério.
A arte de expressar-se exige boa dicção, que a utilização artística da voz. Para
1
que o pregador seja entendido ao falar, a articulação dos sons emitidos deve ser perfeita, isto é, ele deve pronunciar cada palavra corretamente e com som nítido.
A Homilética Desenvolve o Raciocínio
O segredo do sucesso da pregação esta em o pregador colocar-se como um canal do qual flui a unção do Espírito Santo. E ele não deve deixar que essa unção seja superada por seus impulsos emocionais, como fazem muitos iniciantes. Só a pratica ensina aquele que prega a comedir o ardor espiritual que faz estremecer o coração.
O pregador não deve deixar de ser emotivado, mas tem de compreender que é necessário dosar esse sentimento, para que as suas pregações produzam resultados positivos e permanentes. Um, pregador desequilibrado emocionalmente pode perder o objetivo da pregação.
A Homilética Aprimora os Conhecimentos Gerais
A Bíblia incentiva a busca de conhecimentos gerais: “Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o que adquire conhecimento”, Pv. 3.13. Já estudamos anteriormente que a homilética é a arte de preparar e expor um sermão. Tanto a preparação quanto a exposição são enriquecidas com o grau de conhecimento do pregador. Os conhecimentos não são razão de um sermão, mas são o esqueleto que dá forma. Eles enriquecem um sermão com variedade de pensamentos que, transmitidos sob a unção do Espírito Santo, muito contribuem para o sucesso da pregação.
Todo o pregador deve adotar um sistema de estudo, para seu maior aproveitamento no ministério da Palavra. O processo de estudo, o aprimoramento dos conhecimentos gerais, e dos bíblicos, envolvem três aspectos: observação, consulta, e discussão.
1. A observação realiza-se em duas direções:
a. para fora, quando colhemos impressões do que se passa ao nosso
redor.pregador deve estar sempre atento ao desenvolvimento da ciência e aos acontecimentos no mundo, para tirar ligações e idéias. O habito de anotar observações feitas dará ao pregador a oportunidade de enriquecer seus sermões como resultado de observações feitas em casa, na rua, na igreja e viajando.
b. Para dentro, quando o pregador faz introspecção, isto é, quando examina
seus propósitos, pensamentos e sentimentos, para verificar o que se passa dentro de si mesmo.
2. A consulta é um método eficaz no aprimoramento dos conhecimentos gerais:
uma palavra, uma idéia, um assunto qualquer, poderá levar-nos a livros de pesquisas. Todo pregador tem por obrigação possuir boa biblioteca particular para consultas: livros, Bíblia, geografia e arqueologia bíblica, história geral e da Igreja, livros devocionais. Etc.
3. A discussão é outra forma de buscar conhecimentos. O resultado das
observações e consultas pode ser também feito em “estudo em grupo” que é o estudo
A Homilética Desenvolve a Vida Espiritual
Não pode haver verdadeiro sucesso na pregação sem o cultivo de uma vida
2
espiritual dinâmica. Não basta conhecer as regras homileticas, saber fazer um esboço de sermão, ter facilidade de expressão, nem possuir grandes conhecimentos seculares, pois a pregação exige também uma vida de consagração a Deus. O pregador, antes e depois de tudo, é um servo que faz a vontade de seu Senhor. É também um embaixador que precisa estar em continuo contato com o seu governo, para dizer somente aquilo que interessa ao seu país.
É impossível separar a pregação da devoção.
A pobreza espiritual de muitas pregações está em não orar e na falta de meditação na palavra de Deus. É a oração que movimenta toda maquinaria de um sermão.
O P R E G A D OR
Definição de Pregador
Pregador é alguém que recebe a mensagem de Deus e a entrega aos homens. É o que trata com Deus dos interesses dos homens e, com os homens, dos interesses de Deus. O pregador não é um entregador de recados. É um porta-voz da mensagem de Deus aos homens. O Novo Testamento diz claramente que o crente é uma testemunha de Cristo no sentido de fazer conhecido o poder salvador de Jesus. O livro sagrado não diz que todos os crentes seriam pregadores e ensinadores: só alguns são. Na realidade, pregar e ensinar são dois ministérios importantes, destacados no Novo Testamento. A habilidade de pregar, ou de ensinar em público, é um dom de Deus.
Requisitos do Pregador
1. O pregador tem de ter experimentado em sua própria vida a obra
regeneradora do Espírito Santo. Como poderá alguém pregar a mensagem de salvação sem ser regenerado? Mas há os profissionais: os falsos pregadores que nunca nasceram de novo. Pregam por interesse próprio. Não basta ter curso de teologia, nem conhecer oratória, nem saber as regras de homilética para ser um verdadeiro pregador do Evangelho. É preciso ter “nascido de novo”, Jo 3.3 . Inteligência, moral, eloqüência e simpatia não fazem de um homem um pregador.
2. Ao pregador é necessário que tenha a chamada de Deus. Dois tipos
de chamadas aparecem na Bíblia - a coletiva e a individual. A chamada coletiva abrande todos os crentes em Cristo,At.1.8. Já na chamada individual o Espírito Santo fala diretamente a determinada pessoa e a separa para o trabalho que Deus quer que ela faça. Entre esses trabalhos está o ministério da pregação que a Bíblia chama de “o ministério da Palavra”, Cl 4.17; 2 Tm 4.5; At 6.4.
Ter a chamada especial de Deus para pregar implica na responsabilidade de ser portador de uma mensagem capaz de transformar os seus ouvintes, e manter a si próprio puro.
Princípios Básicos
São três os princípios básicos que regem a pregação e o pregador:
1. Objetividade - qualidade necessária ao pregador par que a mensagem alcance resultados positivos. Se o pregador tiver objetivo ao pregar, se visar unicamente á salvação das almas, o sucesso não lhe subirá a cabeça e a
3
mensagem não perderá o seu alvo. O sucesso da pregação verifica-se quando a mensagem redunda em louvor e gloria a Cristo, e não ao pregador. O propósito da pregação não é a exibição do pregador, mas a transmissão da mensagem divina com o fim de alcançar o resultado desejo. O pregador não deve chamar a atenção para si. O objeto da pregação é Cristo, e o seu desenvolvimento deve ser em torno da pessoa de Cristo, e o resultado deve ser Cristo. A objetividade envolve três aspectos de pregação: o alvo, o sucesso e o resultado.
2. Transmissão. O pregador deve receber a mensagem de Deus. Ele tem de transmiti-la aos homens.
O pregador não pode ocultar a mensagem de Deus. Ele tem de transmiti-la ao povo.
3. Experiência. A mensagem pregada antes de tudo, deve ser sentida e experimentada na vida do pregador. Ele não poderá convencer o povo sem que ele próprio tenha experimentado a eficácia de sua pregação. O pregador não é um mercador. Ele dá ao povo aquilo que recebeu de Deus: dá de comer da comida que já saciou a si próprio.
Termos Relacionados com o Pregador e com a Pregação
1. Prédica é a prática que, além de instruir o pregador, anuncia verdades
religiosas.
2. Pregar no conceito popular, é ralhar, fazer discurso maçador, ou repreensão.
Noutro sentido, é anunciar sob forma de doutrina, bradar, proclamar, apregoar.
3. “Kerux”, no grego significa heraldo, proclamador, mensageiro ou pregador.
O substantivo “Kerux” significa, originalmente, o proclamador imbuído da autoridade do seu superior, seja ele rei, governador ou comandante militar, para levar a mensagem oficial aos seus súditos. O pregador do Evangelho tem autoridade de oficial do espírito Santo, para levar a mensagem de Cristo aos súditos do reino de Deus.
4. “Presbeuo”, no grego é embaixador. Esse significado é atribuído aos
pregadores do Evangelho, que são embaixadores da parte de Cristo. Paulo deu ênfase a esse titulo no seu ministério: Ef 6.19; 2 Co 5.20.
5. “Kerisso”, no grego significa anúncio na qualidade de arauto; é a palavra
sempre com o sentido de PREGAR, Mt.10.7.
6. “Dialegomai”, é outro vocábulo grego que quer dizer discorrer, raciocinar,
Discutir. Implica mais em argumentar a boa nova com o sentido de defende-la contra os adversários, At. 17.20.
7. “Laleo” é um verbo grego, que dignifica simplesmente falar a palavra, ou
pregar, Mc.2.2.
8. “Oikonomos”, no grego é despenseiro. O despenseiro é aquele que trata de
assuntos domésticos. É um mordomo. O pregador é um despenseiro dos ministérios de Cristo par os homens, 1 Co.4.1,2.
CULTIVOS INDISPENSÁVEIS AO PREGADOR
O cultivo da Personalidade
4
O pregador deve cultivar uma personalidade moldada na palavra de Deus. Personalidade pode definir-se como sendo aquilo que caracteriza uma pessoa e a distingue da outra. Analiticamente, é o conjunto de das qualidades físicas, intelectuais, sociais, e espirituais de uma pessoa. Afirmam os estudiosos que personalidade é algo vivo que se desenvolve através da educação. Como crentes, a nossa personalidade deve desenvolver-se segundo o modelo de vida crista, que é Cristo, o Senhor.
A personalidade do pregador tem muito a ver com a eficiência da sua mensagem. Um artista pode ser um devasso e assim mesmo produzir uma obra que desperte admiração. Um escritor pode ser dissoluto e, apesar disso, escrever um livro que alcance popularidade.
O cultivo Físico do Pregador
O pregador não pode descuidar-se da sua saúde. O cultivo da saúde é fator indispensável na vida do ministro da Palavra. O ministro cristão deve cuidar de seu corpo, exercitando-se, alimentando-se e descansando o necessário, para que possa desenvolver melhor o seu ministério. A Bíblia ensina sobre a mordomia do corpo, e o primeiro a exerce-la deve ser o ministro da palavra de Deus. Há três fatores indispensáveis para o cultivo físico:
1. Alimentação adequada. O corpo tem de receber a alimentação adequada ás necessidades da vida ministerial. A qualidade, tanto quanto a quantidade da comida deve merecer atenção do ministro. Certas comidas indigestas e prejudiciais devem ser evitadas. Quando o cérebro se ativa no estudo, o sangue corre mais rápido para esse centro nervoso. Mas o processo de digestão torna necessário o sangue no órgão digestivo. Isto significa dizer que após as refeições devem ser evitados os estudos por algum tempo, para a digestão efetuar-se no organismo normalmente. Um ministro da Palavra de Deus não pode deixar-se influenciar pela gula.
2. Exercício Físico. A falta de Exercício físico tem exaurido a energia de muitos pregadores. A obesidade é um resultado direto da falta de exercício. Note-se que a atividade é uma exigência natural de uma nova vida saudável. “A falsa idéia de dignidade ministerial, que não poucos pregadores cultivam, prejudica-lhes a saúde porque pensam que o exercício físico está em desacordo com essa dignidade”.
3. Descanso suficiente. O tempo suficiente de sono ajuda a manter o corpo forte em meio aos trabalhos árduos e pesados. O sono restaura as energias do corpo.
O Cultivo da Espiritualidade
“O homem em cuja vida se manifesta o Espírito de Deus é espiritual. O seu procedimento é determinado pelo Espírito. A sua mente está aberta para receber as impressões de Deus mediante a sua Palavra e outros meios. O seu coração é movido pelos impulsos divinos”. A esses atributos acrescentam-se outros tais como piedade, devoção, oração, estudo, etc. Trataremos da importância de alguns desses requisitos espirituais e morais que os pregadores cristãos devem possuir.
1. Piedade que vem do latim “pietate”, e significa devoção, amor e respeito pelas coisas religiosas, dó, comiseração; sentimento inspirado pelos males alheios, procura remediar ou mitigar.
No pregador, a piedade deve ser uma qualidade de alma. É a reverente dedicação á vontade divina. Não é uma atitude estudada ou cheia de afetação nem misticismo, mas
5
é algo que se mistura com a vida no fortalecimento das virtudes cristãs. Um espírito
piedoso tomar o pregador mais autêntico e mais realista.
A eficácia da pregação tem como primeiro requisito a piedade.
2. Devoção. Este sentimento significa muito na vida do pregador. A palavra devoção deriva do latim “devotione”, que significa sentimento religioso; piedade, observância das práticas religiosas;de boas novas, coloca-se á disposição de Deus e do seu Espírito: ele controlado e dirigido por Deus.
A devoção deve ser cultivada pelo homem de Deus como prumo que aponta a posição correta. A devoção leva o pregador a uma vida de separação par Deus. Isto não significa isoladamente, mas dedicação do tempo necessário ao estudo sistemático da Palavra. O alimento espiritual do pregador deve ser a Palavra de Deus. O pregador não pode considerar o ministério como uma profissão. O profissionalismo ministerial torna o pregador um presunçoso, um reverente. O médico precisa acostumar-se a trabalhar com os que sofrem, sem se comover. O pregador não é assim. Não pode agir por profissionalismo, ou por estar acostumado a cada situação que enfrenta. Ele precisa ter sensibilidade spiritual.
3. Oração. No cultivo da espiritualidade a oração é o ponto de partida, a chave-mestra. Os homens e mulheres mais poderosos de que nos fala a história, foram os que prevaleceram
“A igreja não necessita de mais organizações e de novos métodos, mas de homens a quem o Espírito Santo possa falar - homens de oração, homens poderosos na oração. O Espírito não se derrama através de métodos, mas por meio de homens ungidos. Deus não unge planos, mas homens - Homens de oração”.
O sucesso da pregação está confiado ao pregador Ele torna a mensagem profícua ou inoperante. O sermão não é trabalho de uma hora. É o tempo de uma vida. Preparar um sermão na orientação do Espírito equivale a um estágio na Escola do Espírito. Cada sermão torna-se uma nova experiência.
A oração é a arma mais poderosa do pregador. A oração faz o homem. A oração faz o pregador. A oração faz fornece as verdadeiras mensagens ao pregador. “o púlpito de hoje é pobre
Bounds diz ainda: “o pregador pode sentir o entusiasmo do seu próprio brilhantismo, ser eloqüente pela sua exegese, ardente para transmitir o produto de seu próprio cérebro; pode usurpar o lugar e imitar o fervor de um apóstolo. Cérebros e nervos podem tomar o lugar e simular a obra do Espírito de Deus e, como essas forças,
6
a letra pode irradiar luz e brilhar como um texto iluminado, mas esse brilho e sua centelha serão destituídos de vida: serão como o campo semeado de pérolas”.
O Eu deve morrer na oração, e as aptidões naturais e espirituais deverão ser desenvolvidos sob o controle e obra do Espírito. Devemos evitar as orações secas e fúteis nos púlpitos. A oração em secreto é a base de todo o sucesso ministerial.
4. Sinceridade. Esta virtude dignifica o pregador cristão. Sua pregação deve refletir a verdade contida na sua alma. Paulo destaca a sinceridade quando afirma que “O amor não seja fingido”, 1 Co 13. Este amor parte de dentro do coração sincero; caso contrário, não passaria de uma imitação, e o pregador não passaria de um artista que consegue dizer uma mentira como se fosse verdade. A sinceridade deve ser invariável na vida e nas atitudes do pregador. Hoje, amanha e depois; na presença ou na ausência, ele deve ser o mesmo. Em quaisquer circunstancias a sinceridade deve prevalecer. Ser sincero não significa ser sisudo, nem tampouco usar o púlpito para ferir determinada pessoa. Ser sincero é ter dignidade, humildade, mansidão e firmeza de propósito. Ser sincero é ser realista e nunca trair sua consciência por interesses alheios ao princípio da sinceridade.
5. Humildade. Outra qualidade moral e espiritual indispensável á personalidade do pregador é a humildade do pregador é a humildade. A fama e a vanglória tentam o pregador: após o sucesso chega a tentação. O orador exerce poder sobre o intelecto dos ouvintes. Esse poder é capaz de fascinar o pregador e leva-lo a pregar para buscar a sua própria glória e não a glória de Deus. O pregador tem de estar intimamente preparado para o sucesso na pregação. Essa preparação é espiritual. É uma conscientização de que, tudo quanto faz e fala ao povo, vem de Cristo, e é para Cristo.
“O poder dos grandes mestres está no esquecimento de si mesmo”, afirmou certo escritor. A vitória da humildade tem lugar na queda do EU. Nenhum pregador pode subir ao púlpito sem antes ter descido, pela oração, os degraus da humildade. Na oração, o egoísmo se quebranta. O medo se desfaz e a certeza da vitória aparece como a clara luz do meio-dia.
O pregador deve estar preparado para os elogios. Quando são elogios sinceros, devemos glorificar a Deus, porque o sucesso torna-se, então, um estimulo para o trabalho. Nunca subamos ao púlpito confiados em nossa capacidade, porque corremos o risco de descermos dele derrotados e envergonhados. Subamos, sim, com humildade e carência de Deus e de sua graça. Então, desceremos com nossa fronte erguida e com os lábios cheios de louvores a Deus. Ninguém pode ufanar-se da humildade. Ela é um peso aferidor do equilíbrio do nosso ministério.
6. Otimismo. É das forças motoras geradas pelo Espírito Santo na alma do pregador, e acionada pelas suas atitudes positivas. O otimismo cristão encara sempre a vida sob um aspecto positivo. Ainda que males e dificuldades cerquem o transmissor de mensagem, o espírito otimista lhe dá energias para vencer os obstáculos.
O pessimista, pelo contrário, nunca vê vitórias ou soluções, nem alegrias. O pregador otimista transmite, em sua mensagem ao povo, a alegria e a esperança que envolvem a sua alma. Ser otimista transmite é ter fé na mensagem que prega. É crer no trabalho que realiza. É ter sensibilidade para com as coisas espirituais. O pregador otimista transmite ânimo ao abatidos; conforto aos tristes: inspira confiança aos fracos, e fortalece a fé dos abatidos.
Nunca um pregador deve acomodar-se ás situações de derrota a fraqueza dos seus ouvintes, simplesmente dizendo-lhes “A vida é assim mesmo, ou conforme-se!” O pregador tem de ter uma palavra orientadora e plena de fé. O pregador tem consciência
7
de ser “o homem de Deus”, aquele que representa o sentimento divino de amor, de paz e de segurança espiritual.
O Cultivo da Intelectualidade
Já discutimos os aspectos físicos e espirituais da intelectualidade. Agora falaremos sobre o seu cultivo. Em outras palavras, sobre o cuidado de buscar conhecimentos gerais que possam contribuir par o sucesso do ministro da Palavra. Diz J.W Shepafd: “Jesus escolheu pescadores indoutos para que fossem os seus primeiros pregadores, mas não os deixou na ignorância, antes desenvolveu neles um alto grau de saber. Paulo ensinou que o pregador deve saber o que quer, e que não deve ter de que se envergonhar”.
O cultivo da mente exige, por sua vez, o cultivo da mordomia do tempo. O pregador deve saber administrar o seu tempo de tal forma, que o peso da intelectualidade e da espiritualidade se equilibrem.
O pregador não deve limitar-se ao preparo de sermões, deve, antes, adotar um método que contribua para o seu maior desenvolvimento intelectual e espiritual.
Administrar o tempo implica cuidado, organização e força de vontade. Administrar o tempo é arte de dividir o tempo, obedecendo a um método na organização de seus estudos e trabalhos diários. A falta de método tem prejudicado seriamente muitos ministro da Palavra. Um programa diário facilitará a organização dos trabalhos e uma vez adotado, deve ser obedecido.
“O estudo exegético de um trecho de qualquer livro da Bíblia tomará o primeiro o primeiro lugar no programa. Seguir-se-á e estudo do texto ou assunto para o sermão do próximo culto. Depois o estudo entrará nos campos teológicos, histórico, cientifico, filosófico, etc.”.
Todos esses estudos podem ajudar o pregador ajudar o pregador na preparação de seus sermões, enriquecendo-os com interpretação equilibrada e atrativa. A parte intelectual, no que tange á pregação, somente será válida, se equilibrada pela espiritual, pois esta é o alvo principal e aquela apenas um reforço.
AS BASES DO SERMÃO
A Bíblia é a fonte principal de pregação cristã. Um sermão sem texto bíblico por base é qual arvore cortada a raiz. A base de um sermão é o seu texto bíblico. É impossível desenvolver um sermão, por exemplo, sobre fé, arrependimento, amor de Deus, ressurreição etc., sem base bíblica.
Em nossos dias há pregadores que não fazem uso de textos bíblicos. Por isso, do ponto de vista espiritual, seus sermões são insípidos, monótonos, vazios: não são ungidos pelo Espírito Santo! Tais pregadores, em lugar de tomarem a Palavra de Deus como base em suas pregações, acentuam nelas a retórica. É perigoso fazer isso. O exemplo está em que, com a substituição de textos bíblicos por Orígenes, começou, sutilmente, em algumas regiões, a aceitação de livros apócrifos como canônicos.
A. P Gibss, em seu livro Pregai a Palavra, apresenta cinco razões da necessidade do uso de textos bíblicos nas pregações
“1. Dão autoridade á mensagem.
2. Exercem influência restritiva, para que o pregador se mantenha dentro do tema.
8
3. Unificam o sermão.
4. Preparam o auditório para o sermão.
5. Servem para promover variedade na pregação”.
O uso de textos na pregação é imprescindível porque reforça o conceito de que a Palavra de Deus é a força motriz da pregação. Ao anunciar um texto bíblico como base de seu sermão, o pregador está implicitamente proclamando a autoridade da Palavra de Deus.
A Escolha dos Textos
É fundamental o trabalho de escolha de textos para uma pregação. Nesse mister, certos princípios e regras devem merecer a devida atenção, para que se deve ser feita com sabedoria e espírito de oração.
Para o sermão devem ser escolhidos:
1. Preferivelmente textos que expressem um pensamento completo, isto é, que contenham toda a proposição no sermão.
2. Textos claros (não usar textos obscuros como Jd.6; Mt 27.52; 1 Pe 3.19-20, que dependem de estudos profundos).
3. Textos objetivos, isto é, que respondam ás necessidades espirituais, físicas, morais e materiais das pessoas a quem se destina a Palavra.
4. Textos sobre os quais não haja dificuldade hermenêutica.
5. Textos que não sejam de difícil interpretação, como João 9.31 que diz: “Sabemos que Deus não atende a pecadores”.
6. Textos dentro dos limites de capacidade do pregador para que, ao expor o sermão não desaponte o auditório.
7. Textos claros e expressivos, mesmo que sejam conhecidos do auditório, pois a Palavra de Deus é sempre nova e o seu manancial é inesgotável.
8. Textos que legitimem o tema do sermão. Em outras palavras, o texto é a preposição do sermão. Tema e texto irmanam-se na pregação. Não se deve apresentar um texto e fugir completamente dele falando de outros temas. Por exemplo: de Jó 3.16 tirar o tema: “Amor ao próximo ou, de A t. 28.30, pregar sobre os deveres dos proprietários e dos inquilinos, BURT afirma que isso “São excentricidades indignas do púlpito”.
9. Textos que despertem o interesse do auditório: textos dinâmicos.
10.Textos, cujo fio possa ser lembrado com facilidade pelo pregador e não esquecido pelo auditório.
A Interpretação de Textos
Ao formar a base de um sermão, deve o pregador seguir as regras que determinam a interpretação supérfulas que podem acarretar danos espirituais aos ouvintes. Eis algumas regras básicas para interpretar textos bíblicos:
1. Interpretar fiel e corretamente o texto. É dever sagrado do pregador interpretar e aplicar o texto de acordo com o sentido real. Para isso deve verificar se a linguagem é literal ou simbólica.
Se tomarmos, por exemplo, o verbo lavar, descobriremos que usado em dois sentidos: literal e simbólico. Exemplo: a Naamã foi ordenado lavar-se sete vezes no rio
9
Jordão – sentido literal: porem, em 1 Co.6.11, fala-se de os crentes serem lavados - sentido simbólico. John Broadus diz que existe muito abuso por parte de alguns pregadores que espiritualizam grosseiramente palavras claras. Ele chama a isso de “método de acomodação”.
2. Recorrer ao contexto. Recorrer ao contexto significa examinar o que precede e o que sucede ao texto. Há uma regra em hermenêutica que manda não interpretar isoladamente um texto, mas recorrer sempre ao contexto.
3. Explicar a Escritura pela Escritura. A Bíblia esclarece o que ensina. O confronto da Bíblia com a Bíblia resolve as aparentes contradições, e esclarece o texto, enriquecendo-o, definindo-o, completando-o.
A seleção de Textos
O texto é a parte vital da pregação, sem o texto ela é alvo vazio. Por isso, a seleção do texto de um sermão exige do pregador meditação na Palavra e direção do Espírito Santo. Para que o pregador seja bem sucedido nisso, sugerimos mais quatro requisitos:
1. Escolher textos que falem primeiramente consigo. Antes de tentar convencer o seu auditório acerca do que diz o texto, o pregador tem de sentir a verdade que o texto expressa, para que na exposição da mensagem possa convencer realmente o auditório.
2. Escolher um texto objetivo para cada sermão. Já tocamos levemente neste ponto, mas queremos fortalecer p principio de que o texto escolhido deve ter finalidade.
3. escolher um texto que apele á imaginação, um texto que apresente “algo que ver, algo que sentir, algo que fazer”.
4. Procure não usar textos múltiplos num sermão. Nenhum pregador é proibido de usar tantas referências bíblicas quantas desejar, mas isso é diferente de usar diversos textos para basear um sermão. Deve limitar-se a um só texto para cada sermão. Em alguns casos, porém, é impossível usar mais de um texto num sermão. No entanto, o emprego de mais de um texto pode dar ao sermão falta de unidade.
O TEMA DO SERMÃO
A função básica do texto e a sua escolha é de fornecer ao pregador o
tema do sermão.
O texto é a raiz do tema. Ás vezes é o Espírito Santo que aviva a mente do pregador sobre um certo texto bíblico, do qual tirará o tema (ou assunto) a ser desenvolvido. Outras vezes, o tema pode surgir na sua mente da escolha do texto a ser adaptada ao tema.
Definição de Tema
Homileticamente, o tema é o sucesso da mensagem. É a verdade central do sermão. Uma pregação sem um tema que coordene o seu desenvolvimento é como um navio sem leme, andando á deriva. Uma pregação sem tema pode ter belo pensamento e pode passear por toda a Bíblia, mas o resultado não será bom.
Pontos de Cultivo
10
O pregador deve observar o seguinte:
1.Ter sempre em mãos uma caderneta de anotações, de fácil acesso, para anotar pensamentos ou idéias novas que brotarem em sua mente nas mais diversas circunstâncias e lugares. Desse cultivo, o pregador poderá tecer muitas mensagens.
2. Mensagens poderão surgir por inspiração do Espírito Santo, através da leitura de um livro, jornal ou revista; em casa, na viagem etc.. Um incidente qualquer, uma notícia pelo rádio, uma frase lida ou ouvida, podem inspirar o pregador a descobrir bons temas de pregação.
3. Ler muito e saber escolher bons livros. Não somente livros de cunho evangélico, mas também seculares, que muito poderão enriquecer o conhecimento intelectual do pregador.
4. Estar sempre em dia com os assuntos atuais. Os meios de comunicação lhe darão uma idéia geral dos mundiais. O pregador precisa estar a par dos acontecimentos.
5. Estes pontos não excluem, de maneira alguma, a principal fonte de inspiração do pregador, que é a meditação na Palavra de Deus, com oração.
6. Os temas e assuntos podem também surgir de pesquisas. É bom separar assuntos de revistas assuntos de revistas e jornais e recortes, podem ser catalogados por assunto, e organizados em pastas ou gavetas especiais.
Tipos de Temas
Os tipos de temas são diversos, mas os principais que os regem não mudam. Um sermão precisa ter estrutura, o que exige unidade homilética.
Três requisitos da unidade homilética:
1. O sermão deve ter um só tema.
2. O sermão deve ter um propósito específico.
3. No sermão deve ser empregado unicamente o material de elaboração mais apropriado, tanto para o tema como para o propósito especifico.
Devem-se evitar dois tipos: os temas plurais e os temas demasiado gerais. Esses dois tendem a fugir da unidade homilética.
Eis alguns tipos de temas:
a.Tema em forma de pergunta – É um tipo fácil de se desenvolver, porque o seu desenvolvimento é a resposta.
Exemplos:
“Que farei de Jesus chamado Cristo?”
“Que farei para herdar a vida eterna?”
“Que posso fazer para me salvar?”
b.Tema sob forma de uma palavra ou uma frase – A frase ou palavra enfática determinara o desenvolvimento é a resposta do sermão.
1.com uma palavra fé: Fé;
2.com uma frase: Sem fé é impossível agradar a Deus.
c. Tema em forma de uma declaração - Uma simples declaração bíblica ou uma ordem determinará o desenvolvimento da mensagem, indicando o significado e a prova da declaração. Ex.: Rm. 6.23.
11
d. O tema histórico – O tema histórico é o desenvolvimento de um fato passado contido na Bíblia, com o fim de tirar lições que sirvam para os dias atuais.
e. Tema imperativo – Esse tipo vem sob forma de um mandamento ou ordem bíblica. O seu desenvolvimento obedece ás quatro divisões comuns de um sermão: que? Por que? Como? E, que então?
A estrutura do sermão
Três são as partes essenciais que formam a estrutura de um sermão: Introdução, Plano e á conclusão, Peroração.
A estrutura propriamente dita é a organização do sermão com suas divisões técnicas, que servem para orientar o pregador na apresentação da mensagem.
Na verdade, a estrutura é o esqueleto do sermão. Ela lhe dá uniformidade, isto é, nela os pontos, ainda distintos uns dos outros, formam uma associação de idéias, que finalizam num só alvo. A finalidade da estrutura num sermão é nortear o seu desenvolvimento.
Introdução
A introdução é a parte do sermão que serve como ponto de contato entre o pregador e o auditório. Normalmente, a introdução é a última parte a ser feita na preparação, visto que o pregador deve, antes de tudo, formar os ângulos a serem atingidos. Tendo uma idéia geral do sermão, devidamente estruturada, pode então preparar eficazmente a introdução.
A introdução deve conter outros aspectos não-técnicos. São aspectos psicológicos. Para começar um sermão, o pregador deve saber discernir o tipo de auditório, ao qual fará. Deve desenvolver a habilidade de preparar o seu auditório espiritual e psicologicamente par ouvir o sermão que irá apresentar. Em outras palavras, “a introdução de um sermão deve fazer com que os ouvintes sintam boa disposição para escutar o pregador; deve fazer com que os ouvintes sintam boa disposição para escutar o pregador;deve fazer com que lhe prestem atenção, e que fiquem desejosos de receber a mensagem que o predicante deseja apresentar.
Uma boa introdução deve ser:
1. Breve. Certa senhora crente disse de um pregador inglês muito conhecedor das Escrituras: “Ele é um grande homem de Deus, porém, em suas mensagens, gasta tanto tempo “pondo a mesa” que fico sem apetite de comer a comida que apresenta”.
2. Apropriada. Por isso mesmo é aconselhável que se faça a introdução por
último. O seu objetivo é levar os ouvintes para dentro do sermão, e não o de afasta-lo dele.
3. Interessante. Uma introdução seca e inexpressiva perderá, sem dúvida, o interesse do ouvinte.
4. Simples. A simplicidade entra aqui como uma qualidade indispensável ao pregador. Sua maneira de começar um sermão não pode ser arrogante. A introdução não deve prometer demais, mas despertar o interesse par o sermão.
O Plano
12
Dentro da estrutura do sermão, o plano é a parte principal. Ele tem a ver com a ordem das divisões. Esta parte é chamada , também, de movimento do sermão. O plano é a discussão da prédica, ou melhor, é o esqueleto com as partes colocadas em seus lugares, que devem ser revestidas com desenvolvimento dinâmico do sermão.
Na realidade, o plano é o esboço do sermão com suas divisões. Vamos chamar esse plano de o movimento progressivo do sermão .
Ao dar inicio ao movimento de esboço (ou plano) do sermão, o pregador já deve ter estabelecido o seu ponto de contato com o auditório e despertado o interesse dos ouvintes pelo assunto que vai apresentar.
Para manter o movimento progressivo do sermão, o pregador deve observar quatro requisitos, dos quais dependerá o desenvolvimento do esboço, a saber:
- O sermão deve possuir uma ordem própria nas divisões. Um sermão movimentado sem ordem é como um motim que tem movimento e progresso, mas não ordem. Pregar um sermão sem coordenar os pensamentos, é não acertar no alvo. As regras vitais são as seguintes:
- Dar ordem lógica aos pontos e subpontos do sermão. Cada ponto (ou divisão) deve corresponder a outro ponto. O pregador deve ter em mente que cada divisão representa um movimento apenas dentro do sermão.
- As divisões devem obedecer a uma ordem ascendente, isto é os argumentos mais fracos devem conduzir aos mais forte. As divisões devem ser crescentes: devem aumentar em força á medida que progridem. O pregador começa pelos pontos negativos. Por exemplo: se o tema é Cristo é o Salvador para o mundo perdido, deve apresentar primeiro os argumentos negativos e terminar com os positivos. Deve dizer primeiro que os perdidos parecerão, e depois que Cristo salva.
- A ordem do esboço deve ser cronológica. Essa cronologia no esboço tem a ver com a evolução natural de um ponto principal par o outro.
- O segundo requisito trata da transição de um pensamento para outro pensamento. Certos pregadores tem dificuldade na transição, isto é, na passagem de um pensamento para outro. O pregador deve fazer uma ponte para essa passagem, de tal maneira que o raciocínio do auditório passe para o outro lado suave e solenemente.
- As divisões devem eliminar toda a digressão desnecessária. (A palavra digressão refere-se ao desvio de rumo ou do assunto). Quando o plano não é bem preparado, o pregador corre o risco de perder-se dentro do sermão.
A conclusão ou Peroração
Na conclusão, o pregador deve apresentar o clímax da sua pregação. A aplicação final e definitiva de todo o sermão está na pregação depende de uma boa conclusão. Esta parte é tão importante como introdução. O êxito da pregação depende de uma boa conclusão. O clímax é o ponto culminante do sermão quando, tanto o pregador como o auditório, estão movidos pelo Espírito Santo. É quando o aspecto psicológico do auditório é despertado através do intelecto, do sentimento e da vontade.
A conclusão pode ter várias aplicações, como seja:
13
evitar conclusões improvisadas.
2. Narração. Narrar um fato que possa servir de aplicação á mensagem pregação, pode cativar o interesse do auditório, bem como comove-lo para uma decisão.
3. Persuasão. Um bonito sermão que recebe aplausos e elogios
4.